Responsabilidade Social

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Friburgo e Gotas de FlorA história se repete. Mas dessa vez, o objetivo é fazer o final feliz. Inspirados pela leitura do clássico Capitães da Areia, de Jorge Amado, 42 alunos de 8º ano do Friburgo foram à ONG Gotas de Flor com Amor na quarta-feira, 4 de junho de 2008, para participar de uma manhã de atividades com as crianças atendidas pela instituição e levar doações arrecadadas na escola e junto aos pais.

Ali, encontraram uma realidade muito próxima daquela narrada na obra, que mostra o cotidiano de aventuras e luta pela sobrevivência de menores abandonados, os verdadeiros “capitães da areia” nas ruas da Salvador dos anos 30. A Gotas de Flor com Amor atende todos os meses cerca de 500 crianças vindas de famílias desestruturadas e que vivem em situação de risco.

Professora Paula Trindade“Os alunos tiveram contato com o livro nos projetos de leitura que desenvolvemos e ficaram sensibilizados. Por isso, decidiram passar em sala de aula, mandar cartas e fazer uma campanha para arrecadar doações”, explica a professora de Português, Paula Trindade, coordenadora do trabalho. “Eles escolheram a Gotas por se tratar de uma instituição com a qual trabalhamos há anos com outros projetos sociais e devido às reais necessidades daquelas crianças”, completa Iracy Garcia Rossi, Diretora de Assuntos Comunitários do Friburgo. Além delas, monitoraram o grupo o professor Bruno Stefani e a bibliotecária Daniela Momozaki.

No ônibus que os conduziu à instituição, os alunos do Friburgo tinham um só objetivo em mente: dar uma chance às crianças, para que o destino delas não seja o mesmo de Volta Seca, Pedro Bala e companhia, personagens de Jorge Amado. Por isso, quando chegaram lá, mais que doar materiais de higiene pessoal, alimentos, produtos de limpeza e livros, deixaram amor e carinho.

Integração Frfiburgo e Gotas de AmorIsso ficou bem nítido, do lanche da manhã às brincadeiras, jogos e leituras feitas pelo pessoal do Friburgo e da Gotas. “Esse tipo de atividade é muito importante. Todos aprendem o que significa respeito e conhecem diferentes realidades”, elogia Camila Campos Tinoco, Coordenadora Pedagógica da ONG.

Além disso, os próprios alunos ressaltaram outra conquista importante com esse trabalho: a união e a integração. “Além de aprender e ajudar, fizemos também novos amigos”, diz a estudante Beatriz Spalding, 13 anos. Uma lição que não será esquecida por eles, pelas crianças da Gotas, que se sentiram valorizadas e perceberam que existe gente que se importa com elas e que certamente ficará como um grande exemplo para os colegas e, por que não, para os adultos.

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Por iniciativa dos próprios alunos, foram arrecadados e doados:

- 290 itens de higiene pessoal
- 256 produtos alimentícios
- 37 itens de limpeza
- 260 livros

Iracy e volntárias do Projeto Escrever CartasCertas coisas a gente nunca esquece. Especialmente quando vidas são transformadas. Sete alunas do Colégio Friburgo tiveram uma experiência assim na sexta-feira, 25 de abril. As meninas debutaram no Mudando a História, projeto realizado em parceria com a Fundação Abrinq e que capacita alunos a partir dos últimos anos do Ensino Fundamental a fazer mediação de leitura em instituições que trabalham com adolescentes e crianças em situação de risco.

Extravasando alegria e ensaiando brincadeiras, elas mostravam uma mistura de empolgação e expectativa na van alugada pelo Friburgo para levá-las à Ong Gotas de Flor com Amor, entidade que lida com crianças de cortiços e favelas da Zona Sul de São Paulo. Não era para menos. Depois de meses de treinamento, as estudantes Natália Costa, do 7º A, Beatriz Fogaça do 8º A, Ana Carolina Araújo, Marina Coppola, Gabriela Cruz e Julia Behring, todas do 9º A, e Beatriz Pereira de Almeida, do 2º ano B do Ensino Médio, finalmente teriam seu primeiro contato com a molecada.

No começo, elas pareciam intimidadas. Mas com o apoio das multiplicadoras Carolina Siqueira, Anastásia Murphy e Marília Guedes Silveira, alunas do 3º ano do EM que fizeram a mediação no ano passado, aos poucos todas foram ficando à vontade. Depois de algumas dinâmicas e brincadeiras, coube a Ana Carolina a tarefa de ler para os pequeninos uma historinha em um livro ilustrado. Nessa altura, todos pareciam estar em casa e ser amigos de longa data. Algumas crianças abraçavam e deitavam no colo das mediadoras, tirando dúvidas e apontando para os desenhos a cada página. Em seguida, cada menina e menino pegou um livrinho e começou a lê-lo ao lado de uma estudante do Friburgo.

As despedidas deixaram gosto de quero mais. Tudo bem. A partir de agora, todas as semanas elas estarão lá, cultivando os relacionamentos e conquistando os baixinhos. Se for preciso, levando até bolo para ganhar a confiança deles e abrir portas, como fez Carolina no ano passado. O que vale é Marília e Júlia com grupo de alunos do Gotas de Flor com Amorser solidário e mostrar que outro mundo realmente é possível. “Vemos a importância desse esforço quando recebemos ligações, como a de uma professora da Ong, que nos disse que nosso trabalho estava sendo decisivo para o aprendizado das crianças”, explica Iracy Garcia Rossi, Diretora Pedagógica do Friburgo.

No caminho de volta, cansadas mas satisfeitas, só havia uma reclamação: “Cadê os meninos que fazem parte do projeto e hoje deram cano na gente?”. Tem coisa que, mesmo com o passar dos anos, não muda…

10 anos de Educação de AdultosEm 2007, o Programa de Educação de Adultos completou dez anos de existência e cerca de mil alunos já formados. A idéia de iniciar do projeto surgiu em 1996, depois que a professora Iracy Garcia Rossi, Diretora de Assuntos Comunitários, participou de uma reunião com os promotores do Telecurso 2000. “Na ocasião fomos convidados a apadrinhar uma sala de aula do programa.” conta ela. Mas, ao sair da reunião decidiram montar o projeto no Friburgo. “Sabíamos que o desafio seria grande, mas decidimos aceitá-lo”. Como não dispunham de recursos para pagar novos professores, buscaram voluntários entre ex-alunos, pais e professores. No final daquele ano e começo do seguinte, investiram no treinamento desse corpo docente. Logo, começaram as aulas com uma classe do Telecurso e outra de alfabetização de adultos. Hoje, 78 alunos participam de três níveis de alfabetização. Todas as aulas são dadas no próprio Friburgo, no período da noite. A escola ajuda com livros e materiais didáticos e outras despesas são custeadas por eventos como a já tradicional Festa Junina do Friburgo, que tem uma parte de sua arrecadação destinada aos projetos sociais.
Uma das salas de aula

 

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